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  • Artur Szabo

Fugir, contornar ou lutar?


​ Há centenas de milhares de anos atrás, um Pithecanthropus Erectus estava com muita sede e, desceu da sua árvore para ir até a única poça d´agua conhecida. Caminhou com cuidado e pouco antes de chegar viu que outro animal já estava na sua frente indo beber da mesma água. A situação era inesperada mas, o seu primitivo cérebro consegui encontrar três alternativas possíveis: voltar com sede sem ser visto pelo outro animal; dar uma volta maior para chegar à outra margem do lago que deveria estar vazia ou, atacar o animal para garantir a sua primazia na posse da água.

Estas três alternativas - fugir, contornar, lutar – ainda hoje são a base de todas as técnicas de tomada de decisão ensinadas nas escolas de administração e economia do mundo todo. Portanto, vale a pena pensar um pouco sobre elas.

  • Fugir – talvez seja a mais básica reação de qualquer ser vivo ante uma ameaça. O medo é um mecanismo de defesa autônomo e tanto pode nos salvar quanto nos matar. Fechar uma empresa, sair de um mercado, não entrar em uma guerra de preços com o seu concorrente são reações típicas de fuga. Da mesma forma também fugimos na nossa vida quotidiana quando desistimos antes de tentar, quando deixamos de usar bijouterias na rua por medo dos assaltos, quando não reclamamos os nossos direitos por medo de arrumar alguma confusão.

  • Contornar – com a evolução desenvolvemos várias formas de contorno e, as principais delas são a negociação e a compensação. Negociar implica em estabelecer acordos e alianças que tragam alguma vantagem para todos os lados envolvidos, sendo talvez a principal razão pela qual nossos ancestrais começaram a viver em grupos, tribos e cidades. Modernamente foi criado um termo em inglês - coopetition – que significa cooperação entre competidores. Na verdade isso existe desde que a primeira feira ou mercado surgiu na terra. Todos os concorrentes juntos, oferecendo produtos semelhantes mas, conseguindo atrair mais clientes potenciais do que se tentassem vender sozinhos de porta em porta. Já a Compensação é um mecanismo mais individual que implica em aceitar perdas e mudanças de rumo. As famosas liquidações nada mais são do que a aplicação disso: ter pouco lucro é melhor do que ter nenhum lucro. Investimentos conservadores também usam esta lógica. E, se o euro está muito alto trocamos as férias na Europa pela Serra Gaúcha.

  • Lutar – está sempre parece ser a alternativa mais arriscada, embora as anteriores também o sejam. Nos negócios, desafiar um concorrente numa disputa de preços pode trazer grande lucro ou prejuízo; entrar num mercado dominado por uma grande empresa é arriscado mas pode criar uma alternativa para clientes insatisfeitos até aqui. E o que dizer sobre reagir a um assalto ou estupro que pode nos matar ou nos salvar?

Como o nosso tataravô Pithecanthropus descobriu, nenhuma decisão é fácil ou sem riscos. Por isso a regra básica para decidir-se é fazer e responder honestamente a quatro perguntas: o que está em jogo?; o que eu posso ganhar ?; o que eu não aceito perder/ceder?; qual risco eu não posso deixar de correr?

Que tal pensar nisso antes de tomar a sua próxima decisão?

#patent #trademark

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